Todo ano parece que acontece a mesma coisa, mas 2026 se superou ainda mais no quesito: demorar para engrenar. Com você também é assim? Apenas agora (em abril) eu tenho a sensação de que entrei num novo ano. Tudo bem que a maternidade esculhamba o cérebro da mulher de diversas formas, mas teve outros fatores que também empacaram o meu Réveillon mental.
Viagens e fuso horário bagunçado
No fim do ano passado viajamos por 15 dias entre Natal e Ano Novo (viagem de carro até o Reino Unido). Quando voltamos no comecinho de janeiro, mal tinha dado tempo de ajustar a rotina do Francisco, que andava dormindo bem mal, e um pouco depois já estávamos com as malas cheias indo para o Brasil.
Passamos três semanas “em casa”. E apesar de poder respirar um pouco pois havia bastante ajuda, comida, pessoas para olhar o Francisco, tudo foi bem cansativo pois havia muitas pessoas para dar atenção, e que queriam conhecer o pequeno pela primeira vez. Fizemos a festinha de 1 ano dele lá em um buffet justamente para ser o “ponto de encontro” de todos que moravam mais longe e já matar a saudade de uma vez só.
Depois disso, a volta foi um voo noturno e que depois rendeu certa dificuldade de voltarmos ao fuso holandês (e também uma leve depressão pós-viagem por saber que iriamos ficar longe da família por bastante tempo de novo).
E aí, quando íamos começar uma nova rotina com 2 dias de creche por semana, nós tivemos um…
…bebê que travou no modo vírus
Logo após a nossa volta para o Brasil, combinamos que o Francisco iria 2 dias da semana para a creche, para que eu pudesse voltar a trabalhar 5 dias e tivesse mais tempo de foco e para ir ao escritório. Mas esse plano foi por água abaixo muito rápido. Na primeira semana, os dois dias eu busquei ele após o almoço pois ele ainda não estava muito bem “re-adaptado” (ele já frequentava a creche antes e até pegava mamadeira, mas com esse intervalo de quase 2 meses em viagem, é claro que ele desacostumou).
Na semana seguinte, ele ficou doente. Passamos cerca de 7 dias com ele vomitando, querendo dormir o dia todo em cima de mim com uma virose chata que acabou com o apetite dele e quase o deixou desidratado. Visitamos os médicos 5 (CINCO!!!) vezes, para em todas elas eles apenas checarem se ele estava realmente desidratado (nível uva passa, aparentemente), e mandar para casa com remedinho de enjoo, Paracetamol e suco de maçã (este, inclusive, piorou o quadro dele pois deu dores de barriga e diarreia
).
Ele só foi melhorar quando comecei a oferecer apenas o mama em pequenas doses a cada 15-20 minutos. Depois disso voltei a oferecer comida de leve e ele foi aceitando. E aí, quando estava melhor, resolvemos tentar a creche novamente.
Tamanha nossa surpresa (mentira) quando ele voltou a apresentar vômitos e dessa vez uma piora bem grande em outros sintomas: olhos bem inchados, saindo secreção, bastante catarro e um pouco de febre. Essa leva do vírus/ bactéria até eu peguei e ficamos bem mal. Por quase uma semana foi assim, até que resolvemos dar antibiótico. Em 2 dias ele já ficou bem melhor. Eu acabei tomando também, porque meus sintomas de congestionamento não passavam de jeito nenhum. Passei meu aniversário exausta, com nariz entupido o tempo todo, sem paladar e olfato e sem vontade de colocar os pés para fora de casa (estava um dia feio mesmo).
Nesse meio tempo considerando o estado que ele ficou, e o peso que tinha perdido, acabamos reduzindo de 2 para 1 dia de creche a partir de Abril.
Depois de melhorar, pensamos: vitória, né? Bora voltar para a creche, para a rotina, afinal nisso tudo eu tinha perdido quase 2 semanas de trabalho para cuidar dele.
Aí… num dos dias eu precisei buscar mais cedo, depois o outro foi até OK.
Resolvi mandar ele para a creche na última segunda-feira do mês (que seria a última vez dele indo nesse dia da semana). Eis que terça-feira ele começa a ferver e a ter febre alta. Enfim, e aí essa parte toooda já contei no post da viagem de Paris, que devo publicar em breve.
Mas além do embate com a saúde, teve mais coisa influenciando a dinâmica desse ano.
Metas na empresa foram definidas de forma diferente em 2026
Não faz nem um ano que voltei a trabalhar pós-licença maternidade, e desde então já teve cortes, saída de várias pessoas do time, aquisição da nossa empresa, mudança do CEO da empresa, novo líder acima do nosso diretor, mudança do meu time para outro sub-time, saída de diretor…
E ainda com essa instabilidade de lideranças, este ano o meu time vai atuar de uma forma um pouco diferente, com abordagens focadas em pilares/ seções específicas.
Essa mudança em si é ótima. Fazia tempo que eu queria e até sugeria que a gente mudasse a dinâmica da atuação. Basicamente isso significa que tem ainda mais autonomia para cada um desenvolver seus projetos, metas e como reportar sobre elas.
No meu caso em específico e de outra colega, o desafio adicional além de traçar um plano consistente (e de acordo com nosso nível de senioridade na empresa) é dar seguimento a um projeto de migração que era carregado há mais tempo. Temos atividades que “sobraram” ali e agora sempre precisamos incluir isso na nossa agenda.
De qualquer forma, eu percebo que quando eu começo a pegar no tranco com relação ao trabalho com essa cabeça de mãe que eu tô, sempre tem alguma mudança ou demanda nova acontecendo e tá difícil equilibrar os pratinhos.
Saúde mental se segurando pela pontinha da unha
Além de todas as guerras, polêmicas e problemas que a gente lê nas notícias por aí, pessoalmente 2026 não tem sido um ano gentil de qualquer forma.
Ficar doente, ver meu filho doente e ainda ter mais um luto para vivenciar (sobre o qual ainda está difícil falar sobre), a pressão do trabalho e de querer mostrar mais “garra” na carreira enquanto não tem rede de apoio aqui e ao mesmo tempo não dá vontade de mandar o bebê para a creche.
Esse bolo de acontecimentos e infortúnios queimou meus neurônios. Tô tentando me manter saudável mesmo assim, mas sinceramente eu só não vou desejar que 2026 seja “pulado” pra 2027 porque quero acompanhar ao máximo os dias e o crescimento do meu filho.
Para nossa sorte, estamos na Primavera e apesar do tempo ainda estar instável, já consigo tirar a camiseta da gaveta e ficar descalça pela casa.
