Em abril desse ano eu me inscrevi num clube do livro. Já fazia um tempo eu sentia mais falta de estudar, me aprofundar ou ler coisas mais interessantes, porém como tenho tendência a me “indisciplinar” caso não tenha regras e prazos definidos, estar dentro de um clube com mais pessoas, aulas marcadas, etc. iria me dar a estrutura que eu precisava – e além disso mais conteúdo para me aprofundar no que eu estava lendo.
E o primeiro livro do clube foi nada mais, nada menos, que Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Já começo dizendo que eu tô surpresa com o quanto amei essa leitura, ela é 10/10, a mulher era uma diva mesmo e eu só não li antes por pura lerdeza.
Inclusive, sendo uma fã de leitura e de filmes como Bridget Jones, foi realmente estupidez minha não ter associado com a obra e não ter ido antes beber mais dessa fonte. ![]()
Eu não estou acostumada a escrever resenhas, então vou estruturar o que eu gostaria de falar sobre este livro da seguinte forma: apresentação da obra, o que eu senti lendo esse livro, e alguns detalhes interessantes que me chamaram a atenção nas discussões e aulas do clube.
Orgulho e Preconceito – Jane Austen

Orgulho e Preconceito conta a história de Elizabeth Bennet, a segunda irmã mais velha entre quatro filhas que vive em uma tradicional família inglesa com os pais na propriedade Longbourn.
Numa época em que se preza muito por casamentos com foco em status social, a mãe de Elizabeth sonhava em ter todas as suas filhas bem casadas – por isso, ao descobrir que um novo vizinho, solteiro, tinha acabado de se mudar para a cidade, ela logo se empolgou e pediu ao marido para que os apresentasse na esperança de que sua filha mais velha, Jane, e o novo integrante local se apaixonassem.
É a partir do cenário desse encontro entre os “vizinhos” que Elizabeth encara Sr. Darcy pela primeira vez em um baile. Os dois se odeiam à primeira vista, e é por causa desse julgamento de ambos os lados que a história vai se desenrolando…
Bailes, desfiles militares, chás, conversas profundas entre as irmãs e outras personagens, leituras de romances e questões mais cabeludas de herança envolvem a trama nesse livro. Assim como, é claro, o drama que se instala entre Elizabeth Bennet e nosso famosíssimo personagem, Sr. Darcy.
Orgulho e Preconceito trata exatamente do que o nome já define: a quebra de certos paradigmas, questionamentos sobre o empoderamento feminino representado por Elizabeth, tão à frente em sua mentalidade sobre casamento e poder de escolha da mulher numa sociedade daquela época, e os julgamentos precoces que a fazem, mais tarde, rever suas próprias certezas. Tudo isso embalado com um romance e estilo que transcendeu essa obra e hoje inspira outros romances e diversos filmes por aí.
O que eu senti ao ler esse livro (tem mini spoiler, mas ah! Todo mundo já conhece a história, vai! xD)
Sinceramente, esse livro me viciou demais mesmo eu já sabendo mais ou menos como terminava e já tendo assistido o filme há anos. Os diálogos, cenários descritos, a complexidade das personagens são riquíssimos que é impossível não ficar impressionada com a capacidade da Austen de ter criado algo que depois foi tão reproduzido.
Em várias partes do livro eu me via pensando “eita, peraí” diante de alguma opinião ou absurdo relatado – como quando o primo chato pensa que a Liz (Elizabeth) estava se fazendo de difícil ao recusar um casamento apenas por “charme”, ou quando Sr. Darcy se declara para ela falando que “apesar de você ser pobre e sua mãe uma sem noção, me apaixonei por ti, senhora”.
Ótimo jeito de confessar um amor.

Em outras partes do livro, dei risada com o jeito desastrado da Sra. Bennet, a matriarca da família, e apesar de ter me conquistado no início, depois de um tempo e de ouvir uma opinião na aula do Clube do Livro sobre essa obra, eu passei uma leve raivinha do Sr. Bennet (o pai de Elizabeth).
Eu “engoli” as últimas partes do livro porque já estava com ansiedade e faniquito de ver aqueles dois claramente precisando se comunicar sem conseguir. Amei o fato de ser um romance bem estilo às antigas, com diálogos extremamente bem trabalhados e um quê de modernidade que a autora trouxe, afinal ela mesma estava rompendo barreiras em sua época para se tornar escritora.
Por que devemos honrar Austen
Quando a gente pensa em “clássicos da literatura”, vem aquele ar de biblioteca antiga e textos rebuscados, ainda mais falando em uma publicação de uns ~115 anos atrás. Orgulho e Preconceito certamente derrubou qualquer pré-conceito que eu tinha sobre o ano de publicação de uma obra ser mais ou menos “legal” de ler (e digo “legal” mesmo, pois no meu caso leitura – ao menos de romances – é puro hobby, é para me agradar e me cativar).
Inclusive, a coragem de entrar no clube veio justamente para experienciar isso. Tanto que a leitura de Tolstói em julho só me surpreendeu ainda mais.
Por que ler esse livro em 2026? Além do fato de ser mesmo um clássico que inspirou tantos outros romances campeães de vitrines de livrarias, eu recomendo a leitura simplesmente porque ele é genial e criativo!
CARA…A gente está falando de alguém com caneta de tinteiro, escrevendo algo completamente inventado e imaginado dentro de sua cabeça, e o pior: escondida! Para evitar julgamentos e questionamentos, ela frequentemente precisava esconder os papeis de forma rápida quando alguém entrava no recinto – ou seja: além de tudo era interrompida a todo o momento.
Numa das aulas do clube aprendi que a própria Virgínia Woolf admirava demais Austen pelas suas obras e, principalmente, pela sua conquista como escritora no mundo feminino – ainda mais considerando que a coitada não tinha privacidade para escrever e colocar sua criatividade à solta de maneira apropriada (assim como estou fazendo agora, no terceiro andar de uma casa, completamente sozinha…veja como são loucos os pequenos privilégios que a gente tem rs).
E, além de tudo, nem preciso me estender no fato de que lá pra 1813, quando Orgulho e Preconceito foi publicado, Austen ainda não assinava com seu nome e lidava com a dificuldade de se estabelecer como escritora mulher num mercado que naquela época era dominado por escritores masculinos. Tanto que a primeira publicação foi assinada como “By a Lady”, para evitar maiores questionamentos.
A época em que o livro foi lançada também é importante, já que os romances começavam a atrair mais público – especialmente o feminino. Tem até um trecho em Orgulho e Preconceito quando fala-se da leitura de romances (aliás, a leitura em grupo, após jantares, era comum e isso é narrado no livro também), e um primo chato menospreza esse fato tentando dar um ar de superioridade.
Fora isso, abrir esse “espaço” de questionamento em obras como Orgulho e Preconceito para leitoras femininas que naquela época praticamente não tinham direito a nada foi super importante. Pense nas esposas, em casa, lendo pela “primeira vez” que “ora bem, queridinha, você pode escolher melhor o destino da sua vida e, quem sabe, escolher até nem se casar!”

Porém, veja bem, o surpreendente é que esse não é um livro de julgamentos. Jane Austen criou espaço para todos os cenários: o casamento por arranjo social, o casamento por amor e o casamento por conveniência e por falta de escolhas (como no caso da amiga de Liz Bennet), tudo isso sem criar juízo de valor. Era o que era.
A própria Jane Austen, aliás, nunca se casou. E, considerando as ideias tão pra frentex trazidas no livro, muito se discute do quanto a personagem de Elizabeth seria seu alter ego. Foi só depois de sua morte que seu irmão, Henry Austen, revelou que Jane era autora dessas obras e, assim, ela ganhou a merecida fama que tem hoje.
Espero ter descrito bem as nuances desse livro (e que não tenha falado abobrinha, pois precisei relembrar algumas coisas e pesquisar informações para confirmar).
De qualquer forma, não tem erro em escolher essa leitura. Eu já estou com mais obras de Austen na minha fila com certezinha siiim! ![]()
Em tempo: além do famoso filme de 2005 com a Keira Knightley* (eu digitei correndo, tá certo? Não sei), e de uma série de 1995 com Colin Firth, Orgulho e Preconceito vai ganhar uma nova adaptação em série produzida pela Netflix neste ano (ao que tudo indica, antes do fim do ano). Tô curiosa!
Obs.: só depois de rever o filme de 2005 com o Matthew Macfadyen eu percebi que ele era o Tom Wambsgans de Succession (da HBO). Foi difícil rever o filme e “desver” a personagem de Tom, pois ele era muito icônico nesse papel. ![]()
E sem mais delongas, vamos ao status de hoje:
- [x]Remédio
- [x]Passeio ao ar livre
- └─ Levei Chichico e Milka para o parque um pouquinho.
- [x]Leitura
- └─ Chegando em quase 20% de "Seremos Dados" - e curtindo bastante
- [x]Memória
- └─ Francisco ganhou um livro maravilindo personalizado com história para dormir da Tia Ana (e mandou vídeo agradecendo e falando "tiana") 🥹
- [x]Compromisso do dia
- └─ Fui na clínica de estética e depois num brunch com a amiga
- [x]Desafio enfrentado do dia
- └─ Fazer o pequeno dormir tem sido difícil não só hoje, como a semana toda...
- [x]Tricô
- └─ Trocotei um montão no trem na ida e na volta do meu passeio e ainda comprei mais novelos de lã
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