A véia transona

por Adê

Um dia do nada me inspirei e narrei uma história que aconteceu comigo. Era daria um belo de um picolé de limão para a Deia Freitas (para quem não conhece, do podcast de histórias chamado Não Inviabilize). E aí hoje, quase sem ideia mas sem querer furar o BEDA, resolvi trazer ela pra cá. Por uma super coincidência, parte do ápice da história se passa em agosto. Ora se não é uma oportunidade perfeita de BEDAR.

Então, se acomoda aí e vem comigo…

[Edit: e eu ainda achei fotossssss aaaaaa que nostalgia]

Essa história já faz cerca de 12 anos. Eu tinha me formado já há quase 1/2 anos e trabalhava em São Paulo, seguindo a carreira dos sonhos (na época) de repórter numa grande editora e também a vida de recém-formada dos sonhos: alugando um apê pra morar “sozinha” com um primo da mesma idade e que era e é até hoje um dos meus melhores amigos.

Parênteses aqui sobre essa história de alugar um apê: eu vim de outra cidade, fui bolsista ProUni na faculdade, estagiei desde o segundo ano e a faculdade que eu fazia – obviamente super cara – ficava num bairro também muito caro. Então nos primeiros meses de graduação morei com uns tios perto de SP, e depois de uns vai-vém entre o primeiro e segundo ano da faculdade eu fui morar num lugar que era uma espécie de pensionato (Colégio Sion, caso conheçam …Colégio Pônei rs). 

Esse colégio era um grande complexo com escola, igreja, etc. e tinha essa parte do pensionato que era (ou talvez ainda seja) alugado e administrado por freiras para garotas universitárias (em sua maioria). Então ali você alugava um quarto sozinha ou para dividir por um preço MUITO bom pelo bairro que era a faculdade, coisa de tipo 300 reais perto de pelo menos uns 1.100 reais pra dividir apartamento em Higienópolis – e olhe lá. 

Mas, no precinho baixo é claro que tinham condições. Lá não podia entrar visitas, não podia entrar homens, não podia entrar depois das 22h (às vezes voltar da minha cidade com trânsito gerava preocupação). Não tinha máquina de lavar, não tinha internet.

Enfim, era um quarto, uma cozinha e banheiros comunitários, e um SONHO (de se formar e vazar dali, no caso kkkk). O quarto tinha o básico também, aquelas caminhas antigas tipo de hospital e barulhentas, num prédio antigo onde tem a igreja embaixo e onde quase todo sábado tinha casamento e a gente ouvia lá de cima as ópera dos rico…rs. Claro que eu, próbi, bolsista, aluguei o quarto para dividir pra pagar o mínimo possível.

E só esse trecho da história já geraria vários podcasts. Mas, para resumir: a minha companheira de quarto era muito legal graças a Deus, passei uns 3 anos lá. PORÉM, e até aqui vocês devem ter entendido minha motivação: pouco antes de me formar eu já tinha decidido que essa vida de “república” ia ficar para trás. Eu não queria ser uma jovem recém formada morando com desconhecidos em apartamentos por aí e tals, queria a minha privacidade. E, assim que tivesse um emprego, eu alugaria um apêzinho e no MÁXIMO dividiria com alguém conhecido, mas cada um em seu quarto! kkkkk

Fim dos parêntesis

Então, nessa época eu estava vivendo aquele primeiro impacto de uma vida adulta mais “estável”, recém-saída da faculdade e dos perrengues de estágio + estudos e tal. E eu tenho um primo da mesma idade que eu também morando em São Paulo. Então nós dois, agora com um emprego e um salário um pouco melhor, resolvemos alugar um apartamento de 2 quartos em SP. Por muitaa sorte num dia de visitas encontramos um que gostamos (que quase foi alugado por outra pessoa), e já entramos com a papelada e tal. E mudamos.

Esse apê ficava ali na região de Alto de Pinheiros, é um daqueles prédios CDHU que tem váaaarios bloquinhos (de no máximo 4/5 andares, acho), sem porteiro e bem próximo ali do meu trabalho e do trampo do meu primo. Uma maravilha.

Vista da sala do apêzinho

E aí ele ficava mais ou menos no segundo ou terceiro andar, então era uns lancezinhos de escada até lá, não tinha elevador. E fomos mobiliando com o que dava aos poucos, começando a vida ali de “xovens independentes e trabalhadores”.

Um detalhe importante é que a gente tinha dias pesados no trabalho. Às vezes meu primo voltava muito tarde da empresa dele, umas 22h. Outras vezes eu tinha fechamento, saía pra mais de meia noite da editora e ficava super cansada – inclusive trabalhava em finais de semana também e tals..Vida de Jornalista. Então nossa vida, apesar de sermos XOVENS, era bem séria em certo sentido e a gente só saía mais de casa para visitar parentes, meu namorado, meus pais no litoral, ou viajar para Minas para ficar com a família.

E assim: a gente se mudou para aquele prédio e foi conhecendo e percebendo que – pelo menos no nosso bloco – os moradores eram mais antigos, mais velhos. Tanto que quando a gente conheceu a moradora “representante”/ meio que síndica do nosso bloco, ali no primeiro andar, a gente percebeu que eles eram meio pé atrás com dois jovens terem alugado o apartamento – pois talvez imaginavam que ia rolar muita festinha, perturbação, etc.  Essa representante era uma senhorinha de uma cidade de Minas Gerais bem pertim de onde eu era também, ela se surpreendeu com o perfil meu e do meu primo e tratava a gente super bem, e ali tivemos um relacionamento muito bom (e era mais com ela, pois com outros vizinhos não tínhamos tanto contato).

…E é aí que começa o plot twist. Nós éramos dois adultos 24 anos já um tanto estressados, no ritmo de vida de SP, morando num apartamento numa rua relativamente movimentada onde somente meu quarto tinha janela que isolava um pouco o barulho dos ônibus e carros. Então a gente – que aliás já tinha um certo problema de insônia – ia dormir já com um pouco de ansiedade as vezes (especialmente de domingo pra segunda-feira), e meu primo já se incomodava muito com o barulho da rua pois o quarto dele não tinha janela com vidro triplo / duplo que isolasse mais o som lá fora. Muitas vezes ele queria cotar de colocar esses vidros na janela, mas isso nunca foi feito.

Meu quarto no apê antes de nos mudarmos

Então um dia, do nada, eu estava pra dormir quando percebo uns barulhos…Era gente falando, móvel arrastando, uma bateção de coisas, sabe? Isso já era pra mais de 22h, não era tipo uma sexta/ sábado… e eu fui esperando pra ver se parava. Mas, não acabava nunca aquilo.

Até que, eu saio do meu quarto e vejo que meu primo também abre a porta do quarto dele – com aquela cara amassada de bunda de quem tava tentando dormir – e a gente fala “Meu, você também tá ouvindo essa barulheira?”. Concluímos que só tinha um lugar de onde aquilo poderia sair: do apê de cima.

E aí, aqui eu não vou lembrar quantas vezes isso aconteceu nos outros dias, nem por quanto tempo. Só sei que um dia devia ser por volta de 1 da manhã praticamente e a gente resolveu subir e avisar a vizinha de cima que aquela algazarra toda tava chegando no nosso apartamento e pedimos para darem aquela “diminuida basica” com a maior educação possível.

E, veja que bizarro: a gente subiu a escadinha, tocou a campainha do apê acima do nosso, bateu na porta e tals…Demorou uma ERA pra gente ser atendido. E nem a porta abriram. Eu lembro que meu primo precisou falar, pela porta (porque nem abriram pra falar com a gente) e explicar que o som tava muito alto, se eles podiam diminuir um pouco isso e o arrastar de móveis e tals.

Spoiler: naquela noite até diminuiu mais ou menos…Mas, no longo prazo, as coisas iriam piorar.

E assim, com o tempo ficou meio que constante essas situações. Muitas vezes de noite, em dia de semana, com móveis arrastando (sério, um apê de uns 50m2 não tem como ficar mexendo muito em móvel, né? Bizarro!). E agora pensando eu lembro que não tinha como não ser dos vizinhos de cima, porque depois da parede do meu quarto, não tinha outro apartamento. Do lado do meu primo era a nossa sala, e do outro lado onde ficaria cozinha/ área de serviço também não tinha parede compartilhada com outro apartamento – seria somente a sala, que era relativamente longe do meu quarto…Enfim. Era só os bendito de cima que estavam causando. Quantos benditos? Não sei, mas calma que isso ainda dá pano pra manga. xD

Só que aí…esse barulho de móvel arrastando, gente falando e rindo, foi evoluindo e chegando a, digamos, outros níveis. Comecei a perceber que a pessoa provavelmente exatamente no quarto acima do meu deixava a televisão ou o rádio SUPER ALTOS de noite. Sabe aqueles jornal da noite no último volume? Pois é. E eu lembro de pensar: “bom, só tem véio nesse bloco, então tem alguém surdo ali em cima assistindo/ ouvindo jornal a essa hora”.

Só que não para por aí. Junto com o som do jornal “noturno”, eu comecei a ouvir outros barulhos…E o que seriam esses barulhos? Era uns gemidos que começaram discretos, mas depois ficavam bem esbaforidos. Gemidos o que? Sexuais, é claro! kkk Só podia ser barulho de f*da. É claro que depois dos ápice, os sei-lá-quem ali de cima davam uma sossegada, mas a TV continuava nas alturas.

“Ah, pronto.” Eu pensei. Além de móvel arrastando, coisas caindo, pessoas falando alto, rindo, TV / rádio nas alturas…Eu tenho o Gemidão do WhatsApp ao vivo numa pornochanchada rolando várias noites da semana bem no meu teto.

A essa altura, esses episódios tinham acontecido tantas vezes que além do meu primo e eu escutarmos (ele um pouco menos quando era no quarto acima do meu), o meu namorado / agora marido também escutava quando ele ia me visitar e dormia lá. Pra vocês terem ideia, teve noite que eu mudei de quarto pra conseguir dormir e fui pro quarto do meu primo enquanto ele tava viajando.

Com isso se repetindo tanto, e eu que sou do tipo que evita confronto a todo custo, cheguei a conclusão de que não dava mais. Eu precisava reclamar. Chega de ser boazinha, de ser a “jovem nova no bloco” que quer agradar a galerinha…Eu pago aluguel que nem todo mundo, trabalho pra cacete. Esses vizinho arrombado não vão me fazer mudar daqui e nem continuar com essa algazarra pós-22h. Final de semana eu até entendia, sabe? Mas, nossa…chega kkkk

Daí eu lembro que um dia fui tocar láaa naquela representante/ síndica do bloco, a mineirinha gente boa, e acabei contando pra ela a situação.

Falei: “Olha, a gente já tentou ser justo, tentou ter bom senso pq a gente entende que tem barulhos normais e tal, mas do jeito que tá precisamos reclamar porque atrapalha muito a gente e o nosso trabalho”.

Aí eu descrevi pra ela o que acontecia, os barulhos e tals. 

E nisso, essa senhora me fala:

– Mas menina..Estranho isso, sabe? Porque lá em cima no apartamento X, quem mora é só a Dona Olga. E dona Olga tem seus 70-80 anos e mora sozinha.

Aí eu:

– Cuméquié?

E ela: 

– É, Dona Olga vive sozinha ali, até onde sei não mora ninguém com ela. Não tem muita família também…Sozinha. Ela e Deus.

E aqui, no que eu respondi essa senhora eu preciso abrir um outro detalhe importante: sabe as vozes “esbaforidas” que eu escutava? Elas eram – muito provavelmente e pela nitidez e altura com a qual eu conseguia ouvir – de homens. Dois homens. E pelo ritmo parecia que eles moravam ali / dormiam naquele quarto.

Então eu falei:

– Uai, mas será que ela subloca um quarto ou algo assim? Porque eu tenho certeza que escuto 2 pessoas do sexo masculino…num é possívellll!

E a representante me falou que não, que não tinha como, era contra lei, pipipi popopo, que esquisito porque Dona Olga morava sozinha, etc etc…

Se ela morava sozinha, se não ia ninguém lá, se não podia sublocar…Quem eram esses caras? Fantasmas? 

Depois dessa descoberta esquisita de Dona Olga…Lá no meu trabalho, eu que já demonstrava com as olheiras e “ótimo” humor a minha insatisfação, contei toda a história e meus colegas acabaram apelidando a vizinha de cima “Véia Transona”. Falavam “haha vai ver é ela mesmo, catando alguém lá em cima e mandando ver”.

Tinha dia que vinham perguntar “E aí, e a véia transona?” (SOCORRO HAHAHA) Só rindo pra não chorar.

E assim, depois de falar com a representante de bloco, eu não lembro quanto tempo se passou e se ela foi tentar primeiro dar uma investigada. Eu só sei que é AQUI que entra o meu magnífico histórico de emails de 12 anos atrás pra ilustrar ainda mais o estado mental que eu (uma idosa de 24 anos careta) tava ficando por conta dessa perturbação do sono (desespelo que chama).

Eu resolvi enviar uma reclamação por escrito para o email do condomínio.

A partir daqui, vou separar um bloco e colar exatamente o que eu escrevi:

Data do email: Sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O melhor é o horário do email: 21h41 (que que eu tava fazendo numa sexta feira escrevendo isso? Não sei, gente…Eu sempre fui careta mesmo e nem na faculdade eu ia em balada, pois: dura, energia idosa e sem paciência). 

Boa tarde, pessoal, tudo bom?


Meu nome é Adeline, moro com meu primo há cerca de um ano no apartamento X do bloco XX no condomínio. Trabalho como repórter para a Editora X e ele com comércio exterior.


Nos últimos meses, nós temos tido alguns problemas com nossos vizinhos do andar de cima (acredito que o número do apartamento seja o XX).


Pelo que observamos, umas três pessoas devem morar ali, e quase todos os dias nós somos extremamente INCOMODADOS com muito barulho depois das 22 horas. Barulhos que chegam a ser até de madrugada e acontecem novamente pela manhã bem cedo.


Estamos recorrendo a vocês pois não achamos mais que seja “normal” esse tipo de atitude que nossos vizinhos estão tendo. Não são barulhos comuns – como um sapato de salto ou pisadas no chão.

São MÓVEIS ARRASTANDO O TEMPO TODO, PORTAS BATENDO MAIS DE UMA VEZ, GRITOS, RISADAS, RÁDIO NO ÚLTIMO VOLUME, FERRO BATENDO, enfim, barulhos que alguém dificilmente faria com tanta frequência depois das dez horas da noite, e eles ficam se repetindo por horas, não é algo “rápido”. É muita falta de consideração e empatia fazer isso.

 

Para vocês terem ideia, na noite de ontem (28 de agosto), fui conseguir pegar no sono depois da meia noite (muitos desses barulhos acontecem em cima do meu quarto). Uma da manhã eu fui acordada NO SUSTO com algo que eles haviam derrubado ou batido, fora o barulho da televisão ou rádio que eles têm mania de ligar em volume alto de madrugada. Precisamos acordar todo dia antes das sete horas da manhã, e é impossível dormir com um barulho bem em cima da nossa cabeça.

 

Numa outra vez, de um sábado para domingo, tive que mudar de quarto para dormir pois o barulho ia até às 5 horas da manhã. Nesse dia eu pensei “É final de semana, amanhã eu posso acordar tarde”. Só que não. E no domingo fui acordada às 7 da manhã com barulho de um rádio.

Imagine o estresse de todo dia você ter que escolher entre dormir antes das 21 horas (quando, por incrível que pareça, o barulho é menor) ou de madrugada!

 

Para amenizar o barulho causado por eles, já tive que ligar meu ventilador várias noites, nesse frio que tem feito em São Paulo, pois eu preferia passar frio do que escutar conversas, rádio, móveis desmoronando ou seja lá o que for.

 

E pelo que vimos eles não são muito abertos a diálogo. Há algumas semanas, nós fomos até lá para pedir que eles fizessem menos barulho (risadas e móveis arrastando) e uma senhora que vive ali (não sei te dizer o nome), nem abriu a porta para falar conosco. Tivemos que fazer a reclamação para uma PORTA e SOMENTE naquela noite eles respeitaram a lei do silêncio.

Estamos enviando esse relato enorme pois sabemos que vocês devem receber muitas reclamações e não queremos parecer injustos ou “chatos”. Sei que muitas pessoas podem exagerar ao reclamar sobre um problema, já morei em outros condomínios antes e sei como é.

Vejam bem, apesar de sermos jovens, nós temos uma rotina muito corrida, não temos tempo para conhecer a todos no condomínio e passamos o dia todo fora. Isso significa que muita gente ali também passa por isso.

 

Seria egoísmo de nossa parte querer que todos ficassem em absoluto silêncio todo santo dia, ainda mais se considerarmos o barulho que vem da rua. Porém, deve existir um bom senso de AMBAS as partes. Nós dificilmente estamos acordados depois das 23 horas, mesmo em fins de semana, e procuramos não fazer barulho depois das 22 horas. Isso é regra.

 

Nós trabalhamos em horário comercial e por isso acordamos bem cedo – é fácil respeitar um horário no qual a maioria das pessoas têm que dormir para trabalhar no dia seguinte. Acredito que ninguém ali trabalhe de madrugada, por exemplo, então não é necessário fazer uma faxina – ou sair arrastando móveis por HORAS – à meia noite.

Peço para que vocês nos ajudem tomando alguma providência, pois esse caso já nos tira o sono, nos deixa estressado e prejudica todo um dia de trabalho.

 

Não queremos proibir ninguém de fazer o que tem de ser feito no apartamento deles, mas gostaríamos que o período entre as 22 horas e as 6 horas da manhã fosse respeitado, pois isso é um direito garantido por lei.

 

Espero poder contar com a compreensão e a ajuda de vocês para solucionar esse problema da melhor forma possível para ambos os lados. Se precisarem de referências sobre nós, podem conversar com a Fulana Maria (Apto. YY), nossa representante no bloco, que já nos conhece há algum tempo.

Nossos contatos seguem abaixo, caso queiram falar mais sobre o assunto.

 

XXXXXXX

 

Obrigada e até mais!

E foi isso que enviei. Eu tô aqui rindo dos CAPS LOCK desesperados para descrever que não era um problema pequeno. E tentei ser super compreensiva, toda cheia de dedos pra reclamar. Tive resposta do condomínio? ÓBVIO que não kkkkkk certeza que o cara recebeu e pensou: nemli nemlerei.

E o mais triste é ver o email seguinte pedindo atualizações: ele foi enviado muuuito depois, em ABRIL DE 2015 (ou seja, de agosto de 2014 até lá, continuou a transaiada).

Segundo email: SEGUNDA-feira, 27 de abril de 2015 (dessa vez de tarde)

Pessoal, bom dia.

 

Novamente venho a vocês para reclamar sobre a falta de bom senso de nossos vizinhos do Bloco XX.

 

Desde a reclamação no ano passado eu não notei muita diferença no barulho e essa situação está chegando ao extremo.

 

O pessoal do apartamento n° XX continua fazendo muito barulho durante a noite. [comentário meu de agora: repara, foi enviado na segunda, então domingo de noite tava rolando o maior auê lá] 

Para se ter uma ideia, nessa madrugada eles ainda arrastavam móveis várias vezes, fora o som alto da TV. Eu começo a achar que a pessoa realmente tem problemas para fazer isso com tanta frequência e em horários tão inconvenientes. Isso acontece praticamente todos os dias!

 

E além da sinfonia de móveis arrastando por horas, na sexta-feira também tivemos que aguentar o som alto dos vizinhos de baixo (Apto. XX) que resolveram fazer uma festa. 

Peço – novamente – que tomem uma medida sobre esse problema que enfrentamos há mais de um ano. Isso afeta o nosso trabalho e tem causado muito estresse. 

 

Aguardo uma solução ainda nesta semana. Caso nossos vizinhos não respeitem a lei, seremos obrigados a tomar medidas maiores.

 

Att,

Adeline

Apto. XXX

Cel.: XXXXXXXX

O mais engraçado é a diferença no tom do primeiro para o segundo email. MEDIDAS MAIORES KKKKKRYYYY

Que xovem estressada, ela! ahahaha Mas assim, tomei medidas maiores? Não tomei.

Depois dessa época, ainda em 2015 eu passaria por um baita layoff onde eu trabalhava, meu primo iria se mudar no meio do ano para a Irlanda. E eu já estava encaminhada para ir morar fora também. Então, a história da Véia Transona ia ficar logo para trás, pois me mudei em Agosto de 2015 para São José dos Campos num apê que também tinha problemas com barulhos, mas dessa vez pelo fato dos encanamentos e da parede da cozinha darem exatamente no meu quarto. Pobre não tem 1 dia de paz.

Depois, em 2016 fui para Portugal e desde 2018 vivo nos Países Baixos. Sem tantos problemas com barulho, apesar de as vezes uns vizinhos fazerem festas de arromba com música bem alta.

Até hoje eu não sei se essa dona Olga sublocava, se era alguém que ela conhecia que ficava ali. Eu só tenho uma imagem dessa senhora na minha cabeça e foi de um dia ter visto a cabecinha dela pela janela, de fora do prédio. Com um cabelinho curto, meio ralinho e ondulado – e não sei por que, mas imagino que ela fumava. Rs

E eu lembrei dessa história porque uma vez eu me deparei com esse email aleatório que eu enviei, lá em 2014, e dei muita risada sozinha. Do nada as vezes pensava nela. Minha vida era muito diferente naquela época, mas lembro desse período com carinho porque aquele apartamento em São Paulo significava uma conquista muito grande: ter vivido aquela independência pós-faculdade, depois de ter ralado na faculdade e estagiando desde o segundo ano, tendo dividido quarto sem quase nenhum conforto com as freiras chatonas cheias de regras…rs para depois trabalhar no lugar que sempre tinha sonhado e morar num lugar do jeitinho que eu tinha imaginado quando era mais nova.

Saudade dessa vidinha

A gente jovem se muda as vezes pra um condomínio/ bairro cheio de gente já “veterana” e mais velha e acha que vão pegar no nosso pé, mas no fim podem ser os “véio” que causam e alugam um TRIPLEX na nossa cabeça.

Bom, espero que essa história tenha te divertido aí como me diverti escrevendo ela. Fiquem aí com o status do dia, e boa noite!

Status — 20 de agosto
Remédio
Leitura
Compromisso do dia
Tricô
Se hoje passar de 2% estou no lucro!
Dia de presencial
Tricotei meus três projetinhos!

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