Segunda-feira, 12h30, acabo de fazer meu pequeno que está doente dormir após um almoço rápido quando, do nada, penso:
E se eu fizer um bolinho de cenoura, ein?
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Assim, descompromissada.
Apesar de ter iniciado o dia em home office, meu time estava de sobreaviso sobre minha situação sozinha em casa com um gremilin de nariz escorrendo e pedindo atenção toda hora, então o foco que já não é enorme ia ficar menor ainda.
É segunda, o Brasil perdeu lindamente para a Noruega na Copa, a noite foi uma droga – não por causa do jogo, mas pelos despertares incontáveis -, eu tô com cólica e um dilúvio rolando dentro de mim, tem trilhões de coisas pra organizar e fazer, projetos no trabalho.. Por isso, ter um bolo de cenoura ao meu lado pareceu a saída perfeita para administrar o caos.
Desço as escadas quietinha e vou determinada a fazer tudo o mais rápido possível. Soneca do Francisco a gente nem sempre sabe quando vai acabar.
Abro a receitinha de sempre da queen Rita Lobo no celular. Abro a geladeira e separo as cenouras – noto que tenho exatamente o LIMITE para a receita. Pego também farinha, açúcar, ovos, óleo, pego a balança pra pesar as cenouras na exata medida informada. Porém, aqui vai meu toque: eu acerto na cenoura e todo o resto eu coloco um pouco a menos: 3 ovos em vez de 4, 3/4 de xícara de óleo em vez de 1 xícara cheia e um tantinho menos da farinha também pra balancear. Olha ela toda freestyling.
Esse é meu lado rebelde e subversivo da cozinha. Ovo é caro, pô!
Bato o que precisa ser batido, forno já tá esquentando, unto a forma, misturo os ingredientes com a farinha, e incorporo tudo junto na vasilha. O segredo do bolo fofinho é não bater demais a farinha junto com os ingredientes molhados.
A essa altura eu noto que eu nem tinha almoçado ainda, tampouco tinha fome, só a vontade de comer doce mesmo. Engoli um pouco do macarrão de ontem que estava na geladeira e segui com minha meta de comer meu bolo.
Massa pronta, forma untada, forno quentinho. Hora das três batidinhas de forma no chão pra receber a benção da Vó Maria (ela fazia isso e minha mãe também faz, então pra mim virou ritual religioso hahaha), e coloco para assar.
Corri para lavar o máximo de louça possível, e exatamente quando faltava 5 minutos para o forno apitar, vejo um Francisco sentado na cama pela babá eletrônica. Corro pelas escadas, pego ele, desço para tirar o bolo do forno, tento resgatar a soneca dando peito, mas ele não aguenta muito mais tempo e aceito que além de tudo hoje foi dia de soneca curta. Bora comer uma fruta e brincar.

Com ele brincando, deu tempo de fazer um brigadeiro pra rebocar esse crime açucarado. Cortei as frutas do Chico, preparei meu café descafeinado, e fui atacar minha obra. (Óbvio que o neném viu e pediu, então tive que descongelar o bolo dele de maçã pra ele me acompanhar).
Degustei o bolo ainda morno com brigadeiro e devo dizer que: um dia pré-estragado de trabalho em casa com um neném fanhoso foi consertado com sucesso. Recuperei uns % de energia para o resto do dia e fui feliz.
É como diz Ron Swanson, meu personagem favorito de Parks and Recreation:
Nunca houve tristeza que não possa ser consertada com café da manhã (troque café da manhã por bolo, e tá tudo certo).

Além disso, foi uma ótima desculpa pra provar que a boleira gigante que compramos tem sua funcionalidade, a despeito do meu marido achar que devíamos nos desfazer dela.

Pode vir, resto da semana.
