Me diz: há quanto tempo você faz o que faz, e por quanto tempo pensa que gostaria de continuar nessa atividade? Meu marido esteve se questionando sobre até onde ele seguiria na profissão atual esses dias, e eu vez ou outra também penso sobre isso.
Embora não exista prazo claro de validade, e independentemente da fase profissional que a gente vive – boa ou ruim – uma coisa é certa: com o tempo a gente vai mudar de opinião, de endereço, de vida, de cabelo, de emprego e até de profissão.
E é interessante pensar no tempo como essa espiral em que a gente começa num miolo sem experiência nenhuma, com um escopo de atividade bem limitado, e vai expandindo, expandindo, até que um dia a gente olha para quem era lá no início e pensa: véi, olha só quantos km já rodei de experiência. E a nossa tolerância em lidar com os baques profissionais também se expande. Tipo: olha só pra essa tonha preocupada em uma demissão num estágio arruinar a carreira dela…
Sei que é fácil olhar para as coisas agora, muito mais madura e mais velha e dar menos importância para percalços pequenos da vida – ainda mais quando se trata de trabalho, que não deveria ser a coisa mais importante na vida de um ser humano, embora seja para alguns por caso de extrema necessidade.
Acontece que esse tipo de reflexão eu gosto de fazer especialmente quando quero acalmar os novatos que entram no mercado de trabalho e se sentem ansiosos quando passam pelas primeiras entrevistas, empregos, frustrações ou demissões. Eu geralmente penso que se a gente vive até uns 80 anos ou mais (com sorte e boa saúde), isso significa pelo menos uns 60 anos de trabalho se alguém inicia a vida profissional aos 20 anos. O que são aqueles dois, três anos dentro daquela empresa que você não gostava tanto perto desse tempo?
Pois bem, voltando ao assunto “por quanto tempo nos vemos fazendo o que fazemos”: o consenso geral que vi por aí é de que a gente vai passar por 5 a 7 carreiras ao longo da vida (se eu fui de jornalismo para marketing primeiro fazendo conteúdo, mas depois entrei no mundo do SEO, eu estou na segunda ou terceira?). E esse dado não muda em nada o que eu já penso, só que agora a gente tem um agravante que tem acelerado a nossa busca por mudanças: a inteligência artificial.
Já faz uns anos, mesmo antes das primeiras ferramentas de IA surgirem, tenho notado como a minha forma de atuar na minha área mudou. Minha rotina tem sido muito mais ligada a gerenciamento de projetos, estratégia, monitoramento e curadoria de soluções feitas por IA do que o velho “mão na massa” técnico de SEO (para quem não conhece: Search Engine Optimization / Otimização para mecanismos de busca é uma área dentro de marketing / produto nas empresas que foca em aquisição de tráfego orgânico – ou seja, de graça, sem pagar nada em publicidade/ anúncios).
E eu acho isso ótimo! Sigo gostando dos meus projetos, de implementar novas ideias e tô amando me sentir hacker explorando formas de lidar com dados e códigos com IA para criar coisas que antigamente só um engenheiro poderia criar (e num ambiente corporativo, adicione umas 10 camadas de revisões, ciclos de validação, etc. até um consumidor ver a cara desse produto). Mas, com esse alvoroço nas tecnologias, fico sempre com aquela pulga atrás da orelha pensando “e se por um acaso esse barco virar, pra qual ilha eu vou nadar?”
Ansiosa que sou, especialmente depois de ter aprendido com umas bicudas da vida, eu sempre fico refletindo em quais serão os planos B, C e D… E na época em que estudei jornalismo parecia mais fácil porque eu sempre soube que poderia ampliar para relações públicas, marketing, comunicação interna, conteúdo… Já hoje, eu sinceramente não sei o que mais gostaria de fazer.
Quando eu tento imaginar 10 anos a frente, com um filho que estará na pré-adolescência, as vezes penso: “eu vou estar falando de tráfego e visibilidade orgânica na internet ainda? Será que ainda vou ter um emprego estável? Vou estar ganhando bem? Vou precisar trabalhar muito mais horas para alcançar coisas maiores, vou ser líder de alguma coisa?”
Nessa rodinha de hamster do capitalismo, quem eu vou estar tentando impressionar pra ganhar meu pão? Em quem vou me inspirar? Porque é isso, né? A gente em começo de carreira olha pro profissional mais sênior e pensa: esse aí sabe o que tá fazendo, preciso chegar lá, conquistar essa pessoa para crescer e tals… E no fim o coitado tá lá só tentando sobreviver a uma videochamada sem prestar atenção em nada.
Bem, não escrevi isso tudo para chegar numa conclusão ou um plano…Gosto de deixar essa pergunta – a do título – em aberto. Desculpa se você chegou até aqui pensando que teria alguma resposta! haha Tem dias que eu só vou brisar do nada, mesmo. Igual fiz esses tempos quando militei sobre maternidade e carreira.
O que eu sei é que infelizmente nesse caso existe muito pouco controle que a gente pode ter sobre como tudo o que está acontecendo vai influenciar na nossa vida.
É viver (e trabalhar) um dia de cada vez, mesmo. E confiar que eu vou saber o que fazer quando a mudança (seja ela um robô ultrassônico ou só mais um layoff) bater na porta. 10 anos à frente quero lembrar desse post e – quem sabe se esse blog estará inteiro até lá – gostaria de atualizá-lo com o que aconteceu de verdade. ![]()
- [x]Remédio
- └─ E hoje ainda peguei mais uma leva até o fim do ano
- [x]Leitura
- └─ Li mais 5% hoje!
- [x]Memória
- └─ Francisco empolgadíssimo para terminar o iogurte e segurar o potinho para a Milka lamber o resto.
- [x]Desafio enfrentado do dia
- └─ Uma automação que fiz no trabalho estava mais travada hoje, então demorei para alcançar o resultado desejado...
- [x]Tricô
- └─ Dois dias de abstinência e hoje consegui mexer na minha blusa e no gorro por alguns minutos

