Budapeste

por Adê

Enquanto começo esse post, Francisco está no sétimo sono de sua soneca dos justos. Não sei quanto tempo vai durar ainda, já que ele dormiu antecipado hoje, então deixa eu contar um pouco dessa nossa última viagem de “verão” que estamos fazendo em Budapeste, na Hungria.

Antes de mais nada, preciso definir aqui meu perfil de viagem para esclarecer umas coisas:

Eu viajei pela primeira vez de avião aos 21 anos e fiz uma primeira viagem para o exterior aos 24 anos. E apesar de hoje em dia conhecer dezenas de países, eu me considero na categoria “da roça” no quesito passear e viajar. Gosto de conhecer lugares novos, mas não sou tão empolgada em riscar itens do mapa, nem em fazer roteiros elaborados. Meu marido fica com toda essa parte de querer marcar viagens em cada mínima oportunidade e feriado.

Meus interesses em viagem geralmente ficam entre: conhecer lugares-chave / históricos, visitar museus que contem uma história ou tenham tour definido (galerias aleatórias de arte, por exemplo, não consigo acompanhar a não ser que tenha obras que me interessam ver), andar ao ar livre e “sentir” o clima da cidade e, principalmente, COMER e provar novos locais pelo paladar. Por isso, na maioria das viagens quem cuida da seleção de restaurantes e supermercados soy yo.

No caso de Budapeste, as coisas estão um tanto diferentes: primeiro, porque temos um filho para entreter e alimentar (mais sobre isso em breve, mas pensa numa rotina cansativa!), segundo porque o marido veio para esse destino para frequentar os eventos da Fórmula 1 (ele adora, e surgiu a oportunidade de vir).

Foi assim:

Já chegamos trocando de hotel

Chegamos numa terça à noite num hotel que o Vinicius tinha marcado há muuuitos meses (com medo dos lugares esgotarem por conta do evento). Ele me disse trocentas vezes que o hotel era simples pra me preparar mentalmente, e eu fiquei até OK com isso…Até ler os reviews.

O póbi do hotel tava com nota dó no Google e no Booking também tinha avaliações recentes GRELHANDO o local. Avisei ele, afinal seriam SETE DIAS de estadia… Mas dali em diante não tinha muito o que fazer além de chegar lá pois já estávamos no caminho. Ao fazer o check-in, o jovem recepcionista checou o documento do marido e já falou prontamente: “você bookou para 3 pessoas, por 1 noite, com café da manhã [sorrisinho]”. E a gente “pera, como?”. :huh:

Francisco acordou nesse ponto e daqui seguiu-se uma tarde entretendo ele. Enfim, continuando…

O recepcionista foi checar novamente, e nisso se passaram de 15 a 20 minutos dele conversando em húngaro com um colega que estava ali sem falar absolutamente NADA pra gente. Nisso o Francisco já estava virado no jiraya pegando todos os panfletos que ele tinha alcance e quase subindo escadas aleatórias.

No fim, resolveram que seria 7 diárias, MAS…Chegamos no quarto. E não era nem que ele era simples. Era bizarramente de baixa qualidade: na foto o quarto era amplo, ali a gente estava num caixote de menos de 3x3m de área útil da parede da cama. A cama queen/ king da reserva fez PUF e virou 2 camas de solteiro com colchão super mole – uma das camas, aliás, sem o lençol colocado e meio jogado. Parede suja, um calor, o ar condicionado não funcionava…

Enfim, adios hotel. Umas duas chamadas com o Booking e resolvemos mudar pra um outro local mais apresentável.

e eu tô contando os detalhes justamente pra não acharem nossaaa que frescos nojentos e daí ser simples o hotel?! O negócio era zoado mesmo! kkkk A gente já ficou em muita hospedagem simples e barata, inclusive até bem menor do que aquela. Porém isso numa época de “solteiros” e ainda assim a gente passava o dia fora. Comigo tendo que trabalhar pelo menos 1 dia do hotel + ficar com o Francisco, seria inviável.

E no fim deu tudo certo e mudamos pra uma acomodação muito mais confortável (vou deixar uma dica sobre isso no fim do post).

O que fizemos na cidade

Com a sexta, sábado e domingo reservados para os eventos da F1 que somente o meu marido iria participar, eu tirei quarta e quinta-feira de folga para conhecermos um pouco da cidade com calma.

Andamos pelo centro, fomos até a área do rio e descobrimos que dá para subir o morrão pra uma área onde tem o castelo e outros pontos importantes de ônibus em vez de funicular (que é bem mais caro). Tivemos dois dias de andanças, visitamos o Parlamento que realmente tem uma arquitetura de tirar o fôlego…

Budapeste é de longe sim uma das cidades mais bonitas da Europa – se eu fosse ranquear, ficava acima de Praga, mas isso não importa. Eu gostaria de ter mais energia pra visitar mais locais históricos, tirar mais fotos, conhecer mais? Sim, mas eu tô lascada de cansada e vou contar o porquê.

Como estou me ocupando sozinha com Francisco num lugar diferente

A expectativa dos dias em que ficaríamos apenas eu e Chico no hotel era: ficar de buenas, blogar, brincar com ele, dar umas passeadas aqui e ali, mas zero gasto de energia e com tranquilidade.

A realidade: não era nem 9h e mesmo depois de acordar bem, tomar café, etc. ele não se distraía por 3 minutos. Quer atenção, chora, pede peito, e eu no auge da paciência fico que nem barata tonta tentando ter um momento sentada em paz, mas nem ficando do lado dele funciona. Então a solução é: bora sair e queimar essa bateria aê, rapaiz.

E no fim a minha estratégia de sexta e sábado que deu bastante certo será aplicada amanhã, no domingo, que é: de manhã, pouco depois do café a gente vai até uma cafeteria local que tem um playground para crianças na parte de cima e permite deixar as crianças “soltas” brincando tranquilamente enquanto a gente curte lá dentro ou ao lado com eles, então ninguém fica sem ser vigiado.

Na sexta-feira em que fiz isso, ficamos lá cerca de 1h (das 10h30 até 11h40) e quando deu 12h estávamos no hotel almoçando e 12h30 ele dormiu o sono dos justos por duas horinhas enquanto eu trabalhava e mexia no laptop do lado dele na cama. Delícia. :woohoo:

Já hoje a gente chegou lá mais cedo, umas 10h, ficamos 1h30 e foi ótimo porque num determinado momento só tinha ele lá brincando. Consegui ler umas 10 linhas do meu Kindle (vitória!). Resultado: ele dormiu antes mesmo de voltar pro hotel pra almoçar e trocar fralda. Tive que fazer a manobra arriscada de transferir do carrinho para a cama, mas nada que duas peitas não resolvam. :festa:

Boné do Mickey

Esqueci de botar o chapéu da cria na mala e, voltando para o hotel no nosso primeiro dia encontramos uma lojinha com preços ótimos.…

E aí, na segunda parte do dia, após a soneca nós damos um tempo, lanchamos e depois levo ele para um parque a céu aberto. Hoje ainda quis desbravar e experimentar um parque diferente do que fui ontem (sexta-feira).

Detalhe: mesmo gastando muita energia dele no parque, percebo o quanto é cansativo qualquer uma das opções porque enquanto ele ficava no parque, não tinha nada que distraísse ele por mais de 1 minuto. Sobe no pocotó, desce do pocotó. Sobe na parte do escorregador, escorrega uma vez…e não quer mais. O balanço, por algum motivo, só quis ir umas duas vezes.

O resto do tempo era a mãe zanzando atrás do pequeno que ia SEMPRE nos locais onde menos podia: no brinquedo do menino aleatório que NÃO queria dividir nem mostrar o caminhão dele pro Francisco, o chinelo Crocs da menina que tirou o calçado pra brincar, a bicicleta de outra criança, ou então a área do balanço onde os maiores podiam meter um chute na gente sem querer…Só de escrever isso já tô cansada e quero dormir. rs

Mas, é o que deu certo e fez o pequeno dormir bem, então marque comigo: amanhã, nesse mesmo canal, nesse mesmo horário, faremos a mesma rotina e dará certo, amém.

Diquinhas de viagem que ninguém pediu mas vou dar mesmo assim

Ok, agora já te cansei com esse relato que era pra ser sobre viagem e virou mais uma vez um apelo de mãe cansada, vou finalizar com umas dicas e manias que eu adquiri e que podem ajudar bastante quem viaja com ou sem criança(s).

Pesquisa de hotéis “à prova de falhas”

Depois de alguns perrenguitos, hoje em dia a gente já é bem criterioso para escolher hosperagem. E isso não significa pagar mais caro, e sim ter estratégias, como: se formos andar livremente de carro, o hotel não precisa ser no centro, o que gera mais economia. Se for preciso pegar transporte, verificamos a área. Se a rotina da viagem for corrida, damos preferência para locais com café (saudades dos tempos em que era padrão ter café da manhã em hotéis).

O que eu aconselho fazer quando pesquiso hotel:

  • Confira as avaliações ordenando pelas mais recentes para saber se teve alguma mudança / algum padrão repetido nos últimos meses
  • Ordene as avaliações mostrando primeiro as piores notas para ver se tem alguma red flag. E falo red flag porque SEMPRE vai ter review ruim mesmo em hotel 5 estrelas, tem cliente chato que fala abobrinha por nada, mas lendo alguns reviews já dá pra caçar o que é “normal” e o que pode parecer inaceitável pro seu critério e pro seu bolso. Exemplo: pessoas relatando quarto e café da manhã “simples” não incomodam. Avaliações repetidas de sujeira, mau atendimento, ar condicionado ou qualquer equipamento que não funcione…FOGE.
  • Jogue palavras-chave na listagem de reviews para saber o que falam sobre [insira aqui seu critério]. Dá para saber o que falam dos atendentes, da piscina/ academia, do café da manhã, da localidade, etc.
  • Mapeie o endereço da hospedagem com relação a gastos de transporte e veja se tem restaurantes, supermercados ou padarias por perto pra não ficar “de mãos abanando” em bairros remotos que as vezes são difíceis de chegar e não tem tantas amenidades pra oferecer, o que faz a gente gastar mais no fim.

Menos é mais

Nunca fiz uma mala tão enxuta na minha vida e nunca fiquei tão orgulhosa. Sempre revise muito bem o que tá levando e veja se não dá pra repetir certas combinações, se é realmente necessário levar cada peça. Um exemplo: em vez de levar 1 calçola por banho (muitas vezes são 2x por dia, afinal sou brasileira), levo menos e lavo no hotel (grande maioria das vezes tem aqueles aquecedores que secam tudo rapidinho). Roupa de verão pesa menos, o que ajuda. Fora que dependendo do destino, fica fácil de comprar algo a mais se precisar porque tem muita opção de loja.

Para quem tem criança em estado de agitação: adicione pausas estratégicas

Ajuste o roteiro e rotina se for preciso: quarta e quinta, apesar do pai estar junto, foi muito mais exaustivo e a soneca foi muito pior mesmo pendurando o Francisco no canguru. Nos dias sozinha resolvi que iria voltar pro hotel pra ele dormir melhor e ficar mais calmo.

Aliás, pra quem tem criança o Google ou Perplexity são nossos melhores amigos: procure por cafés ou restaurantes que tenham “área kids/ playground”, veja quais parques ao ar livre são indicados e as amenidades mais próximas de você. E nem precisa ser em viagem: esses tempos fui bater perna Utrecht eu fiz uma pesquisa e descobri que a biblioteca da cidade tinha uma área para crianças maravilhosa onde ele podia brincar e ler livros, gastar uma energia no passeio sem ficar o tempo todo só no carrinho

Kit higiene + lenço umedecido SEMPRE na mochila para todas as ocasiões

Para limpar mão engordurada de comida de rua, limpar os fazedor de xixi quando o banheiro não tiver papel, resolver algum acidente, limpar boca / bunda / colher / roupa / carrinho do neném…Mas também para manter o seu quarto de hotel um pouquinho mais limpo especialmente em estadias longas.

Sim: porque apesar de vir o pessoal da limpeza, nem sempre eles vêm todos os dias, e nem sempre o chão é aspirado. Isso virou mania minha, mas eu recomendo porque não é possível que alguém goste de ficar pisando em chão encardido. O que eu faço quando isso acontece: pego dois lenços e saio esfregando estrategicamente com os pés para tirar um pouco da poeira.

Água e comida de supermercado

Lembra que falei lá em cima que sou a guia gastronômica das viagens? Pois é, com criança não dá sempre pra contar com isso mais, não (kkkkryyy :lagrima:).

Aqui pelos países da Europa é super comum encontrar sanduíches e comidas prontas de boa qualidade nos supermercados, inclusive refeições frescas! É uma forma de se alimentar um pouco melhor do que comprar pizza congelada ou pedir o fast-food de toda esquina, e sem gastar tanto esforço pesquisando por restaurantes que são mais caros e nem sempre oferecem algo para crianças no menu.

Além disso, não tem lugar melhor do que os supermercados para comprar água em maior quantidade e sempre ter em mãos nos passeios. A gente hoje em dia só para pra comer em restaurante se for no almoço e se a cria estiver num bom momento (leia-se: bem humorada e sem sono).

É isso, minha gente. É totalmente possível turistar muito mais do que eu turistei aqui, mas eu resolvi poupar minha saúde e energia porque tenho um perfil de viagem mais tranquilo. Espero passar amanhã, o último dia cheio de viagem, com paciência e gratiluz. E enquanto não volto aqui, tenho enviado mais fotos ali no Fotolog.

Obs.1: pra quem gosta de F1 e ficou curioso com como é vir no evento aqui, meu marido tem passado uns perrengues nos transportes de ida e volta, então a organização não está lá essas coisas.

Obs.2: cês notaro que agora eu consigo botar fotos direto do fotolog no post? Esse plugin de galeria tá supimpa demais! :heart:

Até mais! :apaixonado:

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2 comentários

Taís 26 de julho de 2026 - 5:22 pm

Budapeste é com certeza uma das cidades mais lindas da Europa. Já estive duas vezes e queria muito voltar assim que uma outra oportunidade surgir! Deu pra sentir daqui os perrengues de viagem com uma criança pequena, é uma outra vibe, um outro planejamento, né? Espero que consiga aproveitar e relaxar mais antes da viagem acabar.. e criar memorias em familia pra lembrar depois com muito carinho <3
https://nyrtais.blogspot.com/

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Bruna 28 de julho de 2026 - 10:23 pm

Nossa cansei só de ler, rs. Mas que fofo seu bebê!! E lindas as fotos da viagem!! :heart:

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